Azul registra alta nas ações e segue como protagonista no setor aéreo brasileiro

As ações preferenciais da Azul Linhas Aéreas (AZUL4) apresentaram valorização nesta quarta-feira, fechando o dia cotadas a R$ 3,30 — uma alta de 3,12% em relação ao pregão anterior, quando estavam a R$ 3,20. Durante o dia, os papéis oscilaram entre a mínima de R$ 3,21 e a máxima de R$ 3,42, movimentando um volume financeiro de aproximadamente R$ 79,13 milhões em cerca de 18 mil negociações. No acumulado do mês, a alta é modesta, com avanço de 0,30%. No entanto, o desempenho no ano de 2025 ainda mostra queda de 6,77%, e em 52 semanas, a retração atinge expressivos 73,8%.

Apesar da volatilidade recente no mercado, a Azul segue como uma das principais companhias aéreas do Brasil. Fundada em 2008 por David Neeleman — empresário com dupla ligação Brasil-Estados Unidos —, a empresa rapidamente conquistou seu espaço no setor de aviação comercial. Desde o início, a Azul focou em conectar cidades do interior e regiões menos atendidas, tendo como base o Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP). Essa estratégia permitiu que, já em 2009, a companhia atingisse a marca de um milhão de passageiros transportados.

Um dos momentos mais marcantes da trajetória da Azul foi a incorporação da Trip Linhas Aéreas, o que a consolidou como a terceira maior companhia do país em volume de passageiros. Atualmente, a Azul realiza mais de 800 decolagens por dia, operando em mais de 100 destinos, tanto dentro do Brasil quanto no exterior. Sua frota é composta por aproximadamente 140 aeronaves, o que garante ampla cobertura e capacidade operacional.

Em 2017, a empresa realizou seu IPO (oferta pública inicial de ações), arrecadando US$ 643 milhões. A abertura de capital foi bem recebida pelo mercado, evidenciando a confiança dos investidores no modelo de negócios e nas perspectivas de crescimento da companhia.

Outro marco importante ocorreu em 2019, quando a Azul adquiriu slots (autorizações para pousos e decolagens) que pertenciam à Avianca no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Essa conquista permitiu à Azul operar no principal terminal doméstico do Brasil e integrar a chamada ponte aérea Rio-São Paulo — a rota mais rentável e competitiva da aviação nacional. A entrada nesse mercado estratégico reforçou a presença da companhia em um dos eixos de maior tráfego aéreo do país.

Apesar das dificuldades enfrentadas pelo setor aéreo nos últimos anos, incluindo a alta do dólar, o aumento dos custos operacionais e a lenta recuperação da demanda após a pandemia, a Azul continua demonstrando resiliência. Sua estratégia de diversificação de rotas, frota moderna e foco em eficiência operacional têm sido fundamentais para atravessar momentos de instabilidade econômica.

O desempenho positivo das ações nesta sessão reflete a percepção de que a empresa pode estar em um momento de recuperação ou reavaliação por parte dos investidores. Ainda que os números de longo prazo revelem desafios, a estrutura consolidada e a atuação estratégica da Azul mantêm a companhia em posição de destaque no setor aéreo brasileiro.